domingo, 12 de dezembro de 2010

Espinho

Cravou se um espinho
Para nunca mais desaparecer
Para te seguir ao longo do teu caminho
Sem nunca te deixar esquecer

Esquecer o inesquecível
Travar o impossível
Apagar o imperdoável
Destruir o indestrutível

Gira sem parar
Nasce sem acabar
Toca sem findar
Acaba sem terminar

Puro ódio corrosivo
Amor sádico
Vingança do mais erosivo
Horror cáustico


Não te deixa esquecer
Não te deixa apagar
Impede-te de viver
Não para de te magoar

Como te vai perdoar?
Como se vai destruir?
Como te vai abandonar?
Como se vai demolir?

Espinho ardente
Sádico, doentio, infernal
Marca errante
Medonha, inolvidável, imperdoável

Poder-se-á parar
Estes males ignóbeis?
Poder-se-á desculpar
Estes actos abomináveis?

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